Leve-me
Não há razão senão razão,
para dizer-me por que estou aqui.
Não tenho anseios ou objetivos,
creio eu te-los mas foram desmedidos
por outrém.
Não há razão em minha própria racionalidade.
Onde desejo estar, e como estar não mais me
faz parte.
Não por que não o quero, mas por que não me
é permitido ser assim.
Tudo que acreditava ser, já não sou mais,
ou talvez nunca tenha sido.
Não sou tão inteligente quanto imagina,
nem tão sábio quando queria ser.
De que vale toda a beleza que tenho se
não sei o que é manter?
Alías beleza essa que dúvido ter, pois
quem tem beleza não sofre de sofridão.
Crê em ti não posso mais crer em mim,
pois nada tenho e nada sou.
E ai de mim querer algo ser.
Apenas matéria, é isso que vejo,
então por que ficar aqui adiando o que
já deveria ter acontecido.
Tenho vontade de acabar com tudo,
de me fundir definitivamente com esse
planeta mediocre.
Tão mediocre quanto eu mesmo sou,
e o que não é mediocre além de ser
respeitavel e amável?
Planeta de chacais, o que esperasse
para um cordeiro?
Claro seu sangue derradeiro, escorrendo
pela colina.
E de que vale esse sangue a não ser
para irrigar e nutrir as plantas próximas
do lugar onde passara?
Me sinto melancolico, sou melancolico,
depressão é como se fosse sobrenome em minha vida.
Mas como não ser assim?
Todos meus valores, que prezo e que tenho, não
são levados em conta nesse mundo de ermo.
Acredito sim em Deus, e sei que não sou ninguém
para questiona-Lo.
Alías não sou ninguém para tudo!
Em meu peito, bate esse instrumento de tortura,
angustiado e cheio de sofrimento.
Quero eu deixar de te-lo batendo.
Agora e não depois.
Por que não me levas já?
Até quando terei que conter e derramar lágrimas?
Até quando terei que pesadelos ter e noite mal-dormidas passar?
Acaba com tudo, peço-te em favor.
Acabe comigo de uma vez por todas.
Não consigo suportar mais a mim mesmo.
Douglas Roberto B. Rainho - 22-06-2004